O que é um bacanório? É o contrário de bacano. Bacano é um gajo giro, despegado de interesse, amigo do seu amigo. Um gajo que, quando se está ao pé dele, nunca se está triste. Tem sempre uma graçola, um dito, uma atitude que dispõe bem. Ao bacano parece que a vida lhe corre sempre de feição. Nunca deixa transparecer um anceio ou uma angústia, mesmo que, às vezes, só Deus sabe... O bacano é um gajo que enfrenta o futuro sem medos, com coragem perante as adversidades. O bacano é o gajo ideial para aparecer ao pé da gente, nem que seja só, uma vez por dia, durante um quarto-de-hora. É o suficiente para te sentires logo cheio de alma mesmo que te sintas desalmado. Este é bacano. Um gajo que dispõe bem.
O Inácio do Capri é um bacanório !!!
Fui, há dias, comer, ao estaminé do Inácio, uma porra de arroz de tamboril, empratado... A publicidade que se fez à volta do arroz de tamboril foi exaustiva. Andaram, a semana toda, a informar os tolos que ia haver um fabuloso arroz de tamboril, para o almoço. Bem! Criaram uma expectativa tão grande à volta do cabrão do arroz que eu, com medo que não chegasse para mim, fui a correr, rua acima, para poder arranjar lugar sentado. Que sorte! Quando cheguei ainda havia arroz. Veio o prato com arroz. Tamboril nem vê-lo, mas o que conta é a intenção, mais duas gambas manhosas a ornamentar o prato do famigerado arroz, para enganar a vista dos doidos. Uma garrafinha d'água das pequenas, uma fatia de pão, um semi-frio (salvou o almoço), um cafézinho Segafredo e dá cá 10,15.
Reclamei: "Inácio!! Como é... 10,15, por um arroz de tamboril empratado?!!!"
Ao que o bacanório respondeu: "Comesses mais. Havia ali muito !!"
Lembrei-me da minha adorada sogra. Alturas, no princípio de casado, a vidinha não era fácil e eu mais a consorte iamos dar ao dente, a casa da mãezinha dela.
Vinha a malguinha com a sopa. Boa, caseira, quentinha, mas pouca. Com duas colheradas a sopa desaparecia da malga e eu pedia: "ÓH! Sogra, arranja aí mais uma concha!" E ela respondia com um ar muito solene. "Ainda tens a seguir o conduto!". Vinha a porra do conduto, também a fugir... e no final do dito eu pedia: "ÓH! Sogra, arranja aí mais um bocadinho de conduto!" E ela respondia com um ar ainda mais solene: "Comesses mais sopa!!"
Assim está o bacanório. Quando me respondeu: "Comesses mais. Havia ali muito!!" lembrei-me da minha adorada sogra e até me vieram as lágrimas aos olhos, da saudade que este bacanório do Inácio do Capri, sem querer, me fez recordar.
Será que só me acontece a mim este tipo de coisas?
Amanhã há mais, na Terra das Mil Aventuras estão sempre a acontecer coisas e quando não estão, a gente arranja.